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eu estou dentro eu estou fora ali habito aqui habito tenho pedras nos bolsos o céu está azul o céu está como o meu cômodo como eu mesmo sobre o tapete no frio do início da manhã ainda o sol paira pálido o sol brilha quente por de trás do pálido tudo é frio se aquecendo lá fora existe um universo lá fora o universo se reduz ao azul que envolve o planeta lá fora o universo se converte em terra e ainda mais perto em chão e solo sob o chão onde as raízes plenas vão saciar sua sede lá fora pois é lá fora que o mundo se situa lá fora o azul não é mais do que uma abelha um cigarro uma contusão um giro quântico das diferenças o inconsciente dentro-fora do dia anterior a casa aquela tua casa que está aquém a tua casa este território que antecede o universo você a contempla como eu o contemplo eu e você dentro e fora sob o azul sobre o solo das raízes turvas pelo calcário das antigas manifestações de vida eu mesmo em mim mesmo fechado em mim mesmo aberto em mim mesmo flutuo pelo vácuo para tocá-lo com meus órgãos deslizo pelos ermos sem vento daqueles tubos cósmicos onde transitam os asteróides e toco-os com meus dedos na medida em que o azul do dia se intensifica e o carbono sob minhas raízes se solidifica num amplo broto de luz que habita o interior de uma semente minúscula que germina eu mesmo lá fora meus órgãos sob o fluxo das constelações migratórias e dos caracóis e conchas de mar que existem no microcosmo de um grão de areia sob o sol da manhã quando percebo que acordei de um sonho de um pesadelo em que tudo era eu mesmo sem dentro nem fora e percebo que em mim mesmo sou o fora e sou o dentro agora ou depois que o frio terminar de aquecer meus pés raízes sob a encosta do universo.

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regeneração resposta todo vazio todo cheio perder-se numa floresta ou numa língua perder-se para fugir da circularidade para encontrar novo círculo outro círculo mesmo navegar sob o colosso o osso a vergôntea a sibila o feitiço transmutar fluido a água das coisas que esperam erram acertam escutam resposta caule viga desejo deslizar querer passar a brisa o oco a flora verde terra rubi da terra casca que transluz do branco a luz do sol entre as folhas manhã de névoa manhã de azul celeste despertar do teu lado regeneração resposta todo vazio quase cheio eu você relógios você relógio eu queria matar o tempo e a onda e o eco da presença que dói que chama ignição dos sentidos pela manhã breve pela tarde grave pela noite breve da inclusão da exclusão do estar do partir eu tenho um livro escrito pra você um livro um clichê do amor um livro um tédio quero queimar um livro com você pela manhã grave pela tarde breve pela noite ácida doce eu aqui e você pela casa pelo silêncio todo vazio todo cheio pedida numa floresta muda você falaria o tempo todo sobre o silêncio não mais muda quero tua voz quero teu outro círculo de meu círculo sobre o teu explosão no céu implosão do céu movimento da pele movimento da ausência da pele eu tenho olhos você tem olhos mas eles se fecham eles se abrem sou fogo aquoso fogo de água de terra verde com folha marrom espera certeira errônea do encontro mineral relógio tempo saída de tua circularidade entrada pela noite celeste de teu osso caule sibila feitiço você resposta regeneração

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O que é essa pressão do vazio?…
Entender que um movimento fala ao longe perto, e o que depende, tudo na real depende, da dualidade enquanto isso ter que!
Permitir entrar em contato com a consciência – absolutamente, ciclos, o que é essa voz? Para onde foi essa linguagem?
Eu te observo, eu me observo… mas quando eu sou como eu sou, sou um rio consciente, muito intenso, saca? E é tudo absolutamente memorial, memorial…
Como eu poderia perdoar? Quando tudo que eu tenho é o que eu sinto: miragem de nexos interiores-exteriores sobrevindo, sobrevindo no sentido… a energia do fértil, quando vive desvive.
Eu agora tenho que, de que forma, me erguer?
Mas, pelas manhãs, tudo se reergue, quando acordar é presente…
Como vai você? As vozes ausentes… Eu me pergunto: manhãs.
Eu me lembro quando falo dos ecos, e tudo é uma impressão de coisas que eu deixo de falar.
Cada dia é um dia outro. Muito acontecer nos desvios, nos amplos, nas coisas que se falam no momento: são! Podendo ser!
Sim e sim, estamos simultaneamente ouvindo os sons do nosso diálogo que se interpenetram absolutamente, para ver de certa forma que o que se fale seja cuspido objetivamente.
Quando a hidra da escrita submerge no silêncio…
Ando ouvindo ruídos, sons de rumos…
Eu também preciso do outro na minha presença, talvez…
Tampouco eu! Eu giro, giro em torno dos círculos infindos de fogo e das muitas ruínas da projeção.
As coisas que marejam o silêncio de azul, nas dimensões do complexo em que nós estamos aqui.
Corpo caminhando pela rua ou pela cama de uma pele sob a brisa do mistério que se interpenetra com os muitos níveis do rolê da vida!
E o que acontece quando a quentura do frio se depara com a conscientização demasiada do vazio?
Mas em tudo há uma falta de nossas presenças, bem aí no gesto…
E estamos fortes, eu sei! Quem a gente pega, o alto do som que a gente coloca, o óleo das miniaturas do incenso sobre a sombra, da respiração que me percebe corpo a corpo, o contato entre todas as coisas que ou sim ou não, mas, não importa, se aceitando, não importa em qual direção. Corpos que se movem pelo meio do mar.
Inclusive! Eu assisti o documentário da transição! Quando o oceano se derramou pela espera e eu em casa, eu que não estava em casa, ali no meio do mar, com ela, eu, com elas, eu não sei, eu sei…
O ritual sobreveio quando vi que eu poderia apenas lidar com o ar, com o cuidado em termos de coisas, simplesmente, acontecendo, no final das contas.
Eu vejo que estou aqui porque e desde que o tempo das coisas é impermanente e interrompe com o sentido.
Eu sei do átimo do segundo das luzes que entram pela tarde, acontecem, dentro da paragem que é estar vivo.

Vila de São Jorge

“Vamo lá ali, ó, vê ali lá!”

“É do jeito que é, mar num é
do jeito que tem de ser”

“O lobo do homem,
o homem do lobo”

“Respeita a pinga!”

“Santo Antônio, eu quero água!
Santo Antônio, eu quero água!

quero água pra beber
quero água pra lavar
quero água pra benzer

quero água!”

– “Eu tenho uma namorada,
eu fui na casa dela,
cheguei lá ela não tava
eu vou esperá ela
eu vou esperá ela
eu vou esperá ela
cheguei lá ela não tava
eu vou esperá ela!”

Estrelas num céu incontável

A gente tá tipo solto na amplidão dessas estrelas

Tamanha distância maior
é impossível de ser só distância!

Aqui, na vila São Jorge,
três estrelas cadentes por minuto!

“Arrepare, não!”

O menor espaço entre duas estrelas
se é o tempo do infinito!

“Apois sim vê si num esquece
qu’inda nessa lua cheia
nós vai brincar na quermesse
lá no riacho d’areia…”

Maciço jorro d’estrelas fixas
revelando que a noite é apenas
o que está metade além
do azul que nos distrai.

Deixo teu dizer que te amo por de trás do que eu nunca pude ser

como o instante do universo está em sua eterna escuridão

da noite que lhe dá vida

do impassível que a infinitude
do impossível da noite nos ignora
em nossa própria finitude

quando um respiro em mim
modifica
transubstancia
incorpora
um outro estar de mundo

– Vixe-Maria mãe de Deus!

Porque cedo eu tardo

Faz apenas calor ou frio

Como você ela está apenas em meu olhar

Quero-te ir mais adentro
como planeta sonolento
que se recobre
no próprio manto.

(agosto, 1, 2016)