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mas o que seria seguro dizer senão desde o limite do coração? minha vida por nossa vida? minha morte por nossa morte? todo dizer possível não se contrai sobre esta insegurança? meu coração, único impossível; amar com o coração partido, ou pela metade, não referindo-se como coração, mas como teu semi-coração vivo em mim – por qual tempo? o amor é uma questão de saúde, diante do coração que não há sem o outro; e nos chega através do perdão, reconhecimento de que não foi o outro que partiu o meu coração, foi o meu coração ao dizer meu coração – eu amo, eu vivo
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eu te dou uma verdade à cada verdade tua; eu fundamento a relação na verdade do amor; a verdade do amor sob a justiça; verdade que repensa a si em alteridade; corte do mesmo sob o gume cirúrgico do outro; eu não escrevo a violência, mas diante dela; perdiz branca nuvem cinza lâmina entre a palavra e o silêncio, e a pergunta de ti; eu sou uma verdade para o silêncio; eu amo dormir desentrelaçado em ti; diz-me teu absurdo em silêncio; eu te habito em nós, desde teu primeiro e último sussurro, ao acordar e ao dormir; meu sonho contigo é seguro, porque ele dorme bem
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estou em tua graça
como um homem descalço está
sobre o concreto das trilhas,
estranho orbe sagrado do amor

 

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estou em tua graça
como um homem descalço está
sobre o concreto das trilhas,
estranho orbe sagrado do amor
mão sobre mão
e ramagem verde sobre a noite,
oráculo entre nós
irmãos
[…]

 

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quando estou em silêncio
estou em tua dança
e escuto através de paredes
tua respiração, tua alma viva
quando estou em silêncio
estou oculto, seguro,
mas o que eu estou
é na palavra que te lanço
e recolho em teus
intuitivos gestos;
quem nunca tentou capturar
uma nuvem com os dedos?
respeito a tua experiência
apenas
eu colho das tuas mãos
apenas ouro;
espero que sintas minha mão
acariciando teus olhos
meu amigo de sangue
e lágrima
e presença e abandono;
músico
que me falas do teu coração.

[…]

[…]
se você não pergunta como eu estou, eu não pergunto; se pergunta eu respondo e pergunto; uma pergunta fere o espasmo do silêncio, é menos vivo que a própria vida que antecede a pergunta, e esta apenas é atravessada por nossos olhos que contemplam o mundo em movimento; e eu não pergunto por você, eu não pergunto como você está, eu confio que você está e que você perguntaria caso não estivesse, pois esta seria a tua maior liberdade
[…]

 

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eu aqui agora escrevo a paixão do meu espírito, a voz antiga que me recepciona cada vez que coloco em termo a espinha da linguagem, o jogo de ir contra meu coração e dizer o silêncio da aurora o silêncio dos cristais de aurora quando reclinam-se em meus ombros como doces sinais da vida, como um terço do caminho a mais em cada diálogo, cada expressão sensível da linguagem ou sobre o corpo do meu corpo em tua mente, em meu coração que chora pela justiça entre nós mesmos, amantes do espaço dos olhos teus e da serenidade da canção e dos sonhos ilimitados dos poderes, para movermos nossos dedos em intenção rútila sobre um sol prismado dentro de nossos rostos […]

[…]

[…]

um problema, para qual retornar
uma palavra sobrevive

think about past no more

estou à espera da expressão

a angústia é um carrapato
mas
à gratidão pelo espinho

enquanto existir com o espírito

um pássaro que vai
numa finalidade não-determinante

dois pássaros

oh, minha graciosa não-preocupação
com o que virá a ser

este fogo
nunca se extingue
em ti

estrela dinâmica de teu rosto

[…]