flux6

[…]
escrevo este poema este fenômeno poema para ocultar esta aparição vaga como as ondas são vagas em seu fluxo-refluxo e como a inscrição na areia desaparece após uma onda e outra este nome da aparição também nome da forma do átomo da linguagem para ocultar o real sob a lei do contínuo eu sou no poema para além da inscrição que desfalece na areia pois engulo a água e provo das leis do tempo como o sal infinito disperso nas vagas que me atingem com a linguagem liquefeita do poema em si nada mais que um fenômeno da linguagem desta linguagem esta unidade furta-cor do absurdo que se é quando para além de um tempo motor abstrato como aquele dos geômetras ou das monótonas leituras métricas quando para aquém de mim mesmo me exponho ao espelho mas com o rosto voltado para fora às voltas com o fora pleno de fora meu rosto embriagado de palavras reunido em torno delas para soá-las para silenciar-me nelas que possuem voz expressa voz patética do sensível presas a mim eu que sou do poema o entre e estou no poema entre tudo que vejo todas as coisas todo enfim este poema que escrevo este fenômeno poema para revelar o apagamento saturado como o branco do sol em sua imóvel feição e como o traço na memória resplandece ante o maciço sol unívoco sem nome em puro fluxo e vivente
[…]

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