Vila de São Jorge

“Vamo lá ali, ó, vê ali lá!”

“É do jeito que é, mar num é
do jeito que tem de ser”

“O lobo do homem,
o homem do lobo”

“Respeita a pinga!”

“Santo Antônio, eu quero água!
Santo Antônio, eu quero água!

quero água pra beber
quero água pra lavar
quero água pra benzer

quero água!”

– “Eu tenho uma namorada,
eu fui na casa dela,
cheguei lá ela não tava
eu vou esperá ela
eu vou esperá ela
eu vou esperá ela
cheguei lá ela não tava
eu vou esperá ela!”

Estrelas num céu incontável

A gente tá tipo solto na amplidão dessas estrelas

Tamanha distância maior
é impossível de ser só distância!

Aqui, na vila São Jorge,
três estrelas cadentes por minuto!

“Arrepare, não!”

O menor espaço entre duas estrelas
se é o tempo do infinito!

“Apois sim vê si num esquece
qu’inda nessa lua cheia
nós vai brincar na quermesse
lá no riacho d’areia…”

Maciço jorro d’estrelas fixas
revelando que a noite é apenas
o que está metade além
do azul que nos distrai.

Deixo teu dizer que te amo por de trás do que eu nunca pude ser

como o instante do universo está em sua eterna escuridão

da noite que lhe dá vida

do impassível que a infinitude
do impossível da noite nos ignora
em nossa própria finitude

quando um respiro em mim
modifica
transubstancia
incorpora
um outro estar de mundo

– Vixe-Maria mãe de Deus!

Porque cedo eu tardo

Faz apenas calor ou frio

Como você ela está apenas em meu olhar

Quero-te ir mais adentro
como planeta sonolento
que se recobre
no próprio manto.

(agosto, 1, 2016)

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